14 de março de 2012

OS JUDEUS NO BAIRRO DO BOM RETIRO EM SÃO PAULO




Bom Retiro é um distrito situado na região central da cidade de São Paulo. Trata-se de uma região essencialmente comercial, com a áreas industriais e residenciais em constante processo de decadência. O distrito é atendido pela Linha 1 (Azul) do Metrô de São Paulo e pelas linhas 7, 10 e 11 da CPTM. Futuramente, também será atendido pela Linha 4 (amarela) do Metrô de São Paulo. No século 19 era um bairro formado por chácaras e sítios que eram usados como retiros de fim de semana pela população abastada da cidade. O Bom Retiro era considerado uma região importante no passado, quando as estações da São Paulo Railway e da Estrada de Ferro Sorocabana, junto à época com o único parque público da cidade, o Jardim da Luz, faziam parte de belos e elegantes pontos de chegada e partida de viajantes notadamente abastados fazendeiros de café que tinham suas majestosas residências na capital. Essa função de lazer começou a mudar quando da instalação de olarias na região sendo a mais importante a Olaria Manfred de 1860. Mais tarde, tornou-se um local de concentração industrial, quando viu, na década de 1960 essas indústrias pouco a pouco cederem seu espaço a um ativo comércio de roupas e moda, mesclado com pequenas indústrias de confecção e tecelagem. À época, o bairro já era um pólo que concentrava comerciantes judeus e sírio-libaneses, os quais mais tarde migrariam para outros bairros mais distantes do centro. A partir dos anos 20, muitos judeus começaram a chegar ao bairro. Vindos sobretudo da Rússia, Lituânia e Polônia, passaram a exercer aqui o comércio. No entanto, só começaram a se instalar em grande número no bairro já no final dos anos 30, em decorrência da 2ª Guerra Mundial. Em uma década, a maioria dos moradores do bairro já era de origem judaica. Isto foi possível, por um lado, pela mudança de muitos italianos que preferiram morar em outros bairros, como Higienópolis, quando na gestão do prefeito de Prestes Maia prostitutas da região central foram transferidas para os prostíbulos das ruas Aimorés e Itaboca. Por outro lado, para os judeus recém chegados era conveniente morar numa região onde já estavam instalados representantes do seu povo. Isto lhes conferia a segurança da vida em comunidade e auxílios como trabalho, moradia e crédito. O bairro também já contava com sinagogas e escolas judaicas. Os novos imigrantes que não tinham ofício iam trabalhar nas oficinas de confecção têxtil montadas durante a década de 20 por judeus que já tinham experiência no ramo. Outros, trabalhavam a prestação, isto é, algum comerciante lhes dava uma quantidade de tecido que deveria ser vendida de casa em casa e paga posteriormente. 

Chegada dos sul-coreanos:

A partir da década de 60, começaram a chegar os sul-coreanos ao Bom Retiro. Estes imigrantes passaram a comprar as principais lojas do bairro, sobretudo nos anos 80, quando se beneficiaram de uma lei de 1982, que anistiava imigrantes ilegais. Neste período, os judeus começaram a migrar para bairros de caráter mais residencial. Isto aconteceu sobretudo porque as mais novas gerações de origem judaica constituíam-se de profissionais liberais que não quiseram continuar com os negócios da família. Até colégios tradicionais desta comunidade, como o Renascença, foram transferidos para bairros como Higienópolis que concentra hoje cerca de 40% dos judeus que vivem na cidade. Possuidor de uma importante herança patrimonial e cultural da cidade, o Bom Retiro abriga a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Sacra de São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa (dentro da Estação da Luz), a Estação Pinacoteca (no antigo DOPS) e o Centro de Estudos Musicais - Tom Jobim. Próximos ao distrito, a Estação Júlio Prestes foi restaurada e atualmente abriga a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). O antigo solar que pertenceu ao Marquês de Três Rios, Joaquim Egídio de Sousa Aranha, em sua Chácara "Bom Retiro" e mais tarde, abrigando a Escola Politécnica da USP hoje abrigando a FATEC e a ETESP.

Notoriedade em filme:

O Jardim da Luz é o mais antigo parque da cidade e é uma das poucas áreas verdes de sua região central. O bairro voltou a ganhar notoriedade com o lançamento do filme brasileiro “O ano em que meus pais saíram de férias”, filmado totalmente na região. 


Fontes: Equipe do Portal do Bom Retiro e Banco de Dados da Folha

Um comentário:

Marinho Maestrelli disse...

Acho muito interessante a cultura judaica e quero conhece-la melhor.